A carteira de trabalho verde e amarela dividirá os trabalhadores Destaque

Com a Carteira de Trabalho verde e amarela, e outras medidas (como o anunciado 13º do Bolsa Família) Bolsonaro tentará seduzir, e atrair para sua órbita, os milhões de trabalhadores hoje desempregados e desalentados.

Esta tese foi apresentada pela jornalista Maria Cristina Fernandes, em artigo publicado no jornal “Valor Econômico”, sob o título "A era da carteira de trabalho canarinha” que, diz ela, “é o melhor truque da vitória de Jair Bolsonaro.” Não é fake news ou outro artifício de propaganda eleitoral. “Mas está à altura da desventura do que está por vir,” diz a jornalista. “O documento foi apresentado na campanha como um divisor de águas no mundo do trabalho. De um lado estariam os detentores da carteira azul que queiram preservar os direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho, ainda que sob o risco de perderem seus empregos. Do outro, os brasileiros que aceitem mitigar direitos em contratos individuais com seus empregadores.”

Bolsonaro “busca capturar a massa de desvalidos jogando-os contra aqueles que detêm direitos trabalhistas. Um exemplo disso é a proposta de 13º salário para o Bolsa Família às custas do abono salarial. A luta de classes bolsonarista está concentrada na parte de baixo da pirâmide. A carteira verde-amarela é o manto destinado a proteger seu exército de precarizados.”

Em seu programa de governo, de oito mil palavras, o capítulo do trabalho tem 112, registra a jornalista. “Lá estão a carteira canarinho, a prevalência de acordos individuais com empregadores sobre a CLT, ressalvadas as garantias constitucionais, a permissão para que um metalúrgico escolha o sindicato dos bancários para se filiar (fim da unicidade sindical) e a barreira contra a volta do imposto sindical”.

Isto é, o contrato é individual entre o patrão e o trabalhador e o sindicato – que existe para defendê-lo – é atacado duplamente. Por um lado, pode acabar com a unicidade sindical; por outro, elimina suas fontes de financiamento, sufocando-os financeiramente. Além de restringir a ação da Justiça do Trabalho.

Tudo isso dentro da consigna de Bolsonaro, durante a campanha eleitoral: o trabalhador terá que escolher entre “mais direito e menos emprego ou menos direito e mais emprego”.

No Brasil, a era de ameaça tecnológica contra os trabalhadores e o emprego, representada pela revolução 4G, “quem fez a cabeça da maioria petista que se transportou para o bolsonarismo não foram as redes sociais mas os anos continuados de recessão e a frustração”, num quadro em que a “ameaça ao décimo 13º salário permaneceu mais ou menos inócua à campanha porque 13 milhões permanecem desempregados depois da reforma trabalhista que prometia brotar empregos”, escreveu a jornalista.

Fonte: Portal Vermelho

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